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 Jun 8, 2021, 11:31:00 AM

# O que é a neurociência e qual sua relação com o futuro do trabalho?

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# O que é a neurociência e qual sua relação com o futuro do trabalho?

Mais do que nunca, estamos vendo no mundo moderno a democratizacão do **conhecimento,** ou seja, pessoas e organizações estão compartilhando entre si informações, conteúdos e experiências de forma intensa e acelerada, especialmente no contexto da transformação digital devido à pandemia.

De fato, é necessário democratizar o conhecimento agregando não só visões similares, mas também distintas; o que realmente importa é ***o que*** faremos e ***como*** lidaremos com o conhecimento adquirido – segundo os especialistas, a chave é trazer à consciência, refletir e compreender como podemos mudar de maneira sustentável.

Para se aprofundar nesse tema tão rico, ouvimos a *neurocoach*[**Patrícia Gomes**](https://www.instagram.com/eupatriciagomesoficial/), que tem na bagagem 20 anos de experiência em empresas multinacionais e atua há mais de uma década como consultora em desenvolvimento profissional, humano e de liderança.

Patrícia também nos ajudou a conhecer um pouco mais sobre a revolucionária **neurociência** – como é chamada a área de estudo do sistema nervoso, que tem como principal órgão o nosso **cérebro** – de forma dinâmica e acessível.

Interdisciplinar, a neurociência conversa com inúmeros outros campos e é aplicável à diversas realidades, nos ajudando a compreender os processos cerebrais que estão por trás do comportamento humano, inclusive quando o assunto é **futuro do trabalho** – a expert cita pilares como **liderança com propósito** (*purposeful leadership*), **cultura da inclusão** (equidade!), **experiência do colaborador** (*[employee experience](https://talentacademy.com.br/employeeexperience/)*) e avanço tecnológico, temas centrais no [FutureWorks – The Global Employer Forum 2019](https://www.bakermckenzie.com/en/insight/publications/2019/05/global-employer-future-works2) da Baker McKenzie.

## Por que neurociência?

“Neurocientistas acreditam que as vivências são capazes de impactar o desenvolvimento pessoal, compreendendo que o aprendizado sofre influência dos fatores de repetição, retornos negativos e retornos positivos”, aponta [estudo](https://aprepro.org.br/conbrepro/2019/anais/arquivos/10122019_151044_5da218c897c50.pdf). O sistema nervoso tem a poderosa capacidade de **mudar, se adaptar e se moldar** quando sujeito a novas experiências.

Conhecer o cérebro é começar a entender como as coisas funcionam dentro de nós para que comecemos a agir também de formas diferentes, abrindo um **leque de possibilidades**.

Para sair do piloto automático e ter uma vida **protagonista**, precisamos usar o cérebro a nosso favor para nele estimular **modificações** positivas em nossas vidas e nas dos outros, e assim ter também o futuro do trabalho na palma de nossas mãos.

## O que é importante saber sobre neurociência?

Nosso cérebro recebe **muita** – e coloca *muita* nisso! – informação (11 milhões de bits) por segundo, mas temos clareza **apenas** de 5% a 10% do que acontece: assim, geralmente nossas atitudes são guiadas por processos implícitos e inconscientes.

É **padrão** do cérebro agir de certas maneiras por **desconhecer** determinadas situações: nós pré-julgamos o tempo todo em cima de nossas experiências, e é por isso que muitas pessoas desistem de sonhos e objetivos antes de conquistá-los, focando muitas vezes num mesmo caminho para qualquer resolução ou tendendo a agir em “efeito manada”.

Do cérebro, o que vem antes de tudo são as emoções, em seguida os pensamentos – que criam julgamentos, fantasias, ilusões e vão moldando experiências –, e depois o que as outras pessoas conseguem ver: nossos **comportamentos e resultados**.

Essa constante transmissão de informações ocorre pelas **sinapses**, desde a barriga de nossas mães: se trata do encontro, da **conexão** entre dois neurônios, e é daí de onde vêm os famosos ***insights***

Os cérebros são como **galáxias** e **nenhum** é igual ao outro – nossas conexões estão na nossa essência, o que faz mais sentido para uma pessoa não necessariamente faz para outra

## **Se abra para a mudança**

Patrícia nos ilustra com o *case* de uma PcD (Pessoa com Deficiência) física que relatou com incômodo nas redes o fato da pauta da diversidade e inclusão estar tão em voga mas, ao mesmo tempo, ela ainda vivenciar situações que podem ser entendidas como desagradáveis, dá o exemplo: quando se dirigem ao seu parceiro em lugares públicos – como restaurantes – a respeito dela, sentindo-se como se não a vissem como um ser autônomo só por ser cadeirante.

Sua crítica é de imensa validez, mas Patrícia quis agregar a discussão trazendo também o ponto de vista da neurociência para explicar que, justamente por às vezes nos depararmos com situações desconhecidas, pelas quais nunca passamos antes e temos pouca ou nenhuma referência, podemos acabar agindo de formas que reproduzam pré-conceitos sem termos consciência no momento.

**“Informação é uma coisa, experiência é outra: devemos julgar menos, olhar os outros lados e considerar a perspectiva do funcionamento do cérebro, nos dados e no embasamento científico, inclusive da própria subjetividade”**, assinala a *neurocoach*, cuja contribuição teve reconhecimento positivo da própria autora do desabafo, nenhum dos ângulos se sobrepondo ao outro mas sim se acrescentando.

> **“A grande sacada da vida é obter o conhecimento para mudar: é essencial a abertura e a tomada de consciência”**, nos conta a expert. Caso contrário, a pessoa pode acabar continuando a repetir certas atitudes capazes até de prejudicar relações de naturezas diversas.

E, embora a mudança – aqui no sentido de seguir para uma **evolução** – implique trazer à consciência, o contrário não é necessariamente verdade: há também casos de pessoas que tem consciência de seu comportamento, mas seguem repetindo-o mesmo sabendo que ele pode ser danoso a outras pessoas ou grupos, tendo muitas vezes fortes crenças limitantes e um ego imaturo que se recusa a olhar e escutar ao outro, tendendo a se fechar em si.

## Colha os frutos amanhã

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*Bea Crespo*

O princípio organizador do cérebro segue dois caminhos de reação: se **afastar** (ameaça) ou se **aproximar** (recompensa).

Para garantir nossa sobrevivência, ele geralmente vai pela primeira opção, nem sempre por se configurar como uma ameaça, mas no mínimo como algo que nos dá receio, que é diferente ou se encontra fora da nossa zona de conforto – que nos faz perguntar, “será que vale a pena”?

A recompensa – isto é, optar por se aproximar – é sempre mais **gratificante**, mas também sempre mais difícil, pois para alcançá-la precisamos passar por obstáculos.

Um momento ou fase de dificuldades situado no passado e hoje superado pode trazer muita satisfação no presente após termos enfrentado desafios e aprendido novas lições – idealmente, de forma contínua.

Sobre o avanço e aceleração da tecnologia, por exemplo, Patrícia fala da importância em não focar no medo comum de perder o emprego para ela e ser substituído, mas sim buscar **se reinventar, se adaptar e flexibilizar**, pois sim, **é possível**.

## Conecte para engajar

Os *stakeholders* buscam hoje organizações éticas, sustentáveis, responsáveis e que se dedicam sinceramente às pessoas, cultivando uma verdadeira política de gestão humanizada muito acima do lucro: de dentro para fora, empresas que tenham uma causa e **impacto positivo** **na sociedade, a longo prazo**.

Importante dentro e fora do trabalho, o **interesse genuíno**, conta Patrícia, ocorre quando quando você realmente busca entender o que e por que uma pessoa sente, pensa e se comporta de determinada maneira, o que gera conexão e **confiança**.

Temos a tendência em nos aproximarmos de pessoas parecidas conosco por ser algo para nós conhecido, mas é preciso trabalhar com a **diversidade** conhecendo pessoas diferentes inclusive de pensamento, conectar e reconectar em todos os momentos, principalmente nos de divergências: **entender, estimular, desenvolver e ajudar a moldar** outras pessoas e seus comportamentos também nos apoia para seguir em nossa própria busca.

## Só errando para inovar

No chamado mundo VUCA (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade), é preciso **errar** para **inovar** – afinal, nada mais humano que isso e criar novas conexões a partir de novas experiências –, afirma Patrícia.

Por padrão, nosso cérebro procura segurança, automatização, acertos e caminhos já conhecidos, mas o que de fato precisamos são justamente os erros, a flexibilidade, a **multidisciplinaridade** e a **responsabilidade** para que possamos aprender e evoluir, testando soluções novas.

## Desafie com afeto

Primeiro a afetividade e depois o desafio: caso contrário gera-se reatividade, reação involuntária excessiva a um estímulo externo a qual tentamos evitar dentro e fora do mundo corporativo, aponta Patrícia.

O componente afetivo do reconhecimento, do servir de **inspiração**, da convergência de propósitos, do lutar pelos mesmos objetivos, de **celebrar cada conquista**, da relação olho no olho e de **pertencimento**, permite que seja efetiva a **autonomia**, a **autoconfiança**, a **clareza de metas**, a **disciplina**, o **foco**, o acompanhamento de resultados e o lançamento constante de desafios.

## Construa hábitos colaborativos

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*Dale Edwin Murry*

Cada indivíduo precisa se enxergar como protagonista de sua vida, de sua história e de seu trabalho para se **movimentar**, e o papel das empresas e de sua política de gestão de pessoas nisso é de muita importância.

De acordo com a neurociência, as empresas podem sugerir três novos hábitos que o cérebro reconhece como **recompensador**:

1- **Criar uma cultura receptiva e encorajadora**

2- **Reconhecer as** **lideranças informais**

3- **Gerenciar a reatividade**

Patrícia conclui apontando que, como pessoas, podemos também focar nos hábitos colaborativos de:

1- **Antecipação**: não podemos prever o que vai acontecer, mas podemos desenvolver a clareza do que queremos nos tornar

2- **Flexibilidade**: esteja preparado para se adaptar à um cenário diferente, afinal, as mudanças serão constantes

3- **Humildade**: algumas certezas submetidas a prova da nova realidade podem falhar – seja rápido para perceber esses sinais e **transformá-los**.

*E aí, **tá esperando** **o quê** pra começar esse processo revolucionário de conscientização, abertura e mudança positiva? Para usar a maleabilidade do cérebro a seu favor e se colocar como personagem principal em todos os âmbitos de sua vida, inclusive no futuro do trabalho, **que já é hoje**?*

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